O podcast da Cora que traz conversas reais com empreendedores sobre os desafios e as conquistas de quem toca o próprio negócio no Brasil.
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Vilma Kano e as lições de uma ONG que já ajudou 18 mil pessoas
Vilma Kano
Quando as visitas aos hospitais foram suspensas na pandemia, a ONG Vilma Kano precisou encontrar outra maneira de chegar aos pacientes. Sua fundadora desenhou uma proposta de robô e começou a procurar quem pudesse ajudar a construí-lo.
A ideia se tornou a Frida Robô, que passou a levar doações e interagir com pacientes. Por trás da solução, havia um problema bem definido e a disposição de buscar conhecimentos que Vilma não reunia sozinha.
Essa é uma das histórias do episódio 49 do Fala, PJ!, o podcast da Cora. Na conversa com Igor e Vini, a artista plástica, designer gráfica, publicitária e fundadora da ONG conta como sua experiência com o câncer de mama deu origem a um trabalho que, na época da gravação, já havia assistido mais de 18 mil pessoas.
Para quem administra uma pequena ou média empresa, o episódio oferece reflexões sobre desafios familiares: encontrar parceiros, perceber necessidades de quem recebe seu trabalho e organizar a operação para que ela possa continuar crescendo.
A história por trás da ONG Vilma Kano
Vilma cresceu no Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo. Na infância, já dividia sua refeição na escola com colegas que precisavam. Ao recordar esse período, descreve um sentimento de dever e uma inquietação diante das dificuldades ao redor.
Anos depois, durante a busca por acesso ao tratamento de um câncer de mama, criou a série de obras de arte Peito Aberto. As vendas ajudaram a pagar suas contas e os cuidados necessários na recuperação de uma cirurgia.
Ela continuou produzindo e passou a destinar o dinheiro a pessoas com câncer atendidas pelo SUS. A iniciativa foi formalizada como ONG em 2017, ano em que Vilma perdeu a mãe para a doença e recebeu o diagnóstico de metástase.
Na entrevista, ela fala sobre conduzir esse trabalho enquanto segue em tratamento. É nesse cotidiano que aparecem decisões e experiências capazes de inspirar quem também precisa encontrar caminhos para fazer uma iniciativa avançar.
Como encontrar parceiros para tirar uma ideia do papel
A Frida começou com um desenho e uma preocupação com o custo. Vilma imaginou uma solução com tablet, uma estrutura de carrinho e controle pelo celular. Depois, entrou em contato com empresas e estudantes, até chegar a grupos de cientistas e pessoas da área de robótica.
Em outubro daquele ano, a ONG já estava nos hospitais com a mascote. O projeto ganhou forma a partir da colaboração com pessoas que podiam contribuir com conhecimentos específicos.
Essa experiência ajuda a pensar em uma situação comum nos pequenos negócios: você sabe o que precisa melhorar, mas falta uma competência para executar. Definir essa lacuna torna a busca por parceiros mais objetiva.
Antes de procurar ajuda, vale organizar o que precisa ser resolvido, quais limitações existem e que tipo de contribuição você procura. Foi ao apresentar uma necessidade concreta que Vilma começou a reunir pessoas em torno da solução.
O que a experiência do cliente pode revelar
Antes da primeira doação em dinheiro, Vilma se perguntou como ajudaria uma pessoa em um hospital cheio de pacientes sem oferecer nada aos demais. Ela fez uma parceria com uma empresa de cosméticos e levou presentes para quem estava no local. O auxílio financeiro foi entregue em particular.
Desse cuidado surgiram os kits de autoestima. A iniciativa considerava algo que ela conhecia de perto: como a relação com a própria imagem pode afetar a experiência de quem está em tratamento.
Para uma empresa, observar o contexto do atendimento também pode revelar oportunidades. Uma pessoa que compra um produto pode precisar de orientação para usá-lo. Quem contrata um serviço pode ficar inseguro por não saber quando receberá uma atualização.
São exemplos de necessidades que aparecem ao acompanhar o que acontece antes e depois da venda. Conversar com clientes e observar dúvidas recorrentes ajuda a identificar onde uma mudança na entrega pode fazer diferença. Na história de Vilma, esse olhar deu origem a uma nova frente de atuação.
Como escolher a tecnologia a partir do problema
Em um congresso, Vilma soube de um grupo de 30 mulheres com câncer metastático, do Distrito Federal, que sonhavam em conhecer o Cristo Redentor. Elas não podiam viajar de avião.
A solução foi uma experiência com vídeo em 360 graus e óculos de realidade virtual. Segundo seu relato, o projeto piloto aconteceu com apoio do Ministério da Saúde e permitiu oferecer um passeio virtual ao grupo.
Tanto nesse caso quanto no da Frida, a escolha da tecnologia partiu de uma necessidade específica. Esse critério também é útil na rotina de uma PME, especialmente quando o orçamento e o tempo da equipe são limitados.
Antes de adotar uma ferramenta, descreva o que ela precisa melhorar. Se o problema é a demora no atendimento, por exemplo, vale entender em qual etapa ela acontece e como verificar se diminuiu. Isso ajuda a avaliar se a solução atende à necessidade que motivou a escolha.
Quando a estrutura precisa acompanhar o crescimento
As primeiras ações de Vilma aconteceram de maneira informal. Conforme empresas se aproximaram para colaborar, ela percebeu que precisava formalizar a iniciativa para viabilizar as parcerias. A estrutura passou a ser uma condição para avançar.
Quem já tem uma empresa também pode reconhecer momentos em que a forma de trabalhar precisa mudar. Informações que ficam apenas em conversas, responsabilidades pouco claras ou tarefas que sempre aguardam a mesma pessoa podem dificultar a rotina à medida que a demanda aumenta.
A experiência da ONG convida a observar o que começa a travar os próximos passos. Na empresa, isso pode significar registrar como uma entrega é feita, esclarecer quem responde por cada etapa ou organizar informações que a equipe precisa consultar.
São possibilidades para avaliar conforme o problema do negócio. No caso relatado por Vilma, a necessidade era formalizar a organização para permitir novas relações de parceria.
O que precisa funcionar sem depender de você
Vilma conta que vai ao hospital três vezes por semana e recorre a ferramentas online para conciliar tarefas e reuniões com o tratamento. Ao falar do futuro, apresenta um desejo que toca em uma questão central para muitos fundadores: a continuidade do trabalho.
“Que não dependa só de mim. Que ela consiga levar isso pra sempre com outras pessoas à frente.”
Na entrevista, essa continuidade aparece como um objetivo de Vilma para a ONG. Para quem empreende, a fala abre espaço para olhar a própria operação e fazer algumas perguntas:
- Quais atividades ficam paradas quando você se ausenta?
- Que informações só você tem e outras pessoas precisam conhecer?
- O que alguém precisaria aprender para assumir parte dessas tarefas?
As respostas podem ajudar a escolher por onde começar a compartilhar conhecimento e responsabilidades. Ter clareza sobre o que depende da sua presença é um primeiro passo para organizar a continuidade do negócio.
Conheça a história completa no Fala PJ
Da venda das primeiras obras de arte à criação da Frida Robô, Vilma conta como cada iniciativa encontrou espaço na trajetória da ONG. A conversa traz os bastidores dessas decisões e a dimensão pessoal de quem segue à frente do trabalho.
“Eu acho que a vida com propósito faz muita diferença. Me move, sabe? Me move.”
Dê o play no episódio 49 do Fala, PJ! e conheça a história de Vilma Kano. Uma conversa sobre solidariedade, criatividade e as escolhas que ajudam a transformar uma intenção em trabalho realizado.