O podcast da Cora que traz conversas reais com empreendedores sobre os desafios e as conquistas de quem toca o próprio negócio no Brasil.
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De CLT a empreendedora em série: como Fernanda Nakao superou crises e construiu múltiplos negócios
Fernanda Nakao
Se você comanda uma pequena ou média empresa, sabe que a jornada do CNPJ não é uma linha reta. Lidar com o fluxo de caixa, pivotar a operação na crise e conciliar a vida pessoal com as demandas do negócio são desafios diários.
No mais recente episódio do podcast “Fala, PJ!”, Vini e Igor receberam Fernanda Nakao, cofundadora da CK Recrutamento e uma verdadeira empreendedora em série. Além da agência de recrutamento para pesquisas, Fernanda tem restaurante, trabalha com astrologia e ainda representa uma marca coreana.
Mas não se engane: por trás de tantas frentes, há um histórico de resiliência e lições duras sobre gestão, sobrevivência financeira e o valor de parcerias estratégicas.
Quer entender como ela faz tudo isso funcionar e quais aprendizados você pode aplicar na sua PME hoje mesmo? Dê o play no episódio completo e confira os pontos altos dessa conversa!
A necessidade de fazer dar certo: o motor para empreender
O instinto de assumir responsabilidades começou cedo para Fernanda. Aos 18 anos, após o falecimento repentino de seu pai e a descoberta de que o seguro de vida havia sido cancelado um mês antes, ela se viu na necessidade de virar a provedora da casa.
Essa urgência financeira fez com que ela agarrasse uma oportunidade de estágio na Bolsa de Valores (hoje B3), onde construiu uma carreira de 16 anos. Mas a estabilidade do trabalho corporativo (CLT) serviu como um “porto seguro” para que ela começasse a arriscar nos seus primeiros CNPJs, como um restaurante no centro de São Paulo e um e-commerce de decoração.
Para muitos donos de PMEs, o início de um negócio exige equilibrar diferentes papéis e fontes de renda até que a empresa tenha tração. Ter essa base e um controle financeiro claro foi o que deu fôlego para que Fernanda pudesse inovar e testar o mercado sem comprometer sua sobrevivência básica.
Diversificar ou focar? O dilema na gestão de crise
Por ser muito curiosa e gostar de estar em todas as frentes, Fernanda participou da criação de negócios totalmente diferentes, como um centro-dia para idosos, comércios eletrônicos e restaurantes. No entanto, a pandemia trouxe uma lição brutal sobre o momento de parar de diversificar e começar a focar.
Em 2020, o seu restaurante de refeições corporativas viu a demanda de centenas de almoços diários cair para zero de um dia para o outro. Sem operação de delivery estruturada, a empresa perdeu receita subitamente. Foi preciso tomar uma decisão estratégica de gestão muito comum para pequenos negócios em crise: enxugar a operação.
Fernanda e seus sócios precisaram fechar um dos restaurantes para focar apenas no outro, porque, caso contrário, não teriam fôlego financeiro para sobreviver. Entender que o caixa dita as regras do jogo foi fundamental para redirecionar os esforços e salvar a operação principal.
A beira do abismo e o poder de uma boa sociedade
Ter um negócio bem organizado financeiramente, como propõe a Cora, é essencial, mas nos momentos de maior desespero, o fator humano faz a diferença. Durante o auge da crise na pandemia, Fernanda chegou ao limite financeiro e emocional.
“Mês que vem eu não tenho mais dinheiro pra aportar, não tenho mais nada, não dá mais. Eu vou sair, assim, assim… Eu não vou nem vender a minha parte, porque ninguém tinha como comprar, né? Eu vou doar, eu só quero sair, assim, não tenho mais força.”
Foi nesse momento crítico que um de seus sócios pediu: “Fê, aguenta só mais um mês”. Ela confiou, eles se reestruturaram, viraram o modelo de negócio para o delivery, e a empresa conseguiu sair do vermelho.
A grande lição de Fernanda para lidar com sócios é a confiança extrema e a transparência. Todos os sócios dela foram seus amigos antes de dividirem um negócio, provando que conhecer os CPFs por trás do CNPJ e manter as expectativas e as finanças alinhadas é o que salva a empresa nas turbulências.
Como aplicar os aprendizados da Fernanda na sua PME
Se você está na linha de frente do seu negócio, separamos os conselhos finais de Fernanda em passos práticos para o seu dia a dia:
- Valide rápido e perca o medo do imperfeito: não gaste meses montando o cenário ideal. Quando Fernanda e a sócia Carol tiveram a ideia da CK Recrutamento durante um churrasco no final de semana, na segunda-feira já tinham site, domínio e e-mail prontos para rodar. Vá com medo, mas vá e ajuste no meio do caminho.
- Fuja do “achismo” e escute seu cliente: não crie soluções baseadas nas “vozes da sua cabeça”. Converse com seu cliente antes de lançar, durante a operação e na hora de corrigir a rota. Uma empresa que escuta a sua base não desperdiça dinheiro desenvolvendo o que ninguém quer comprar.
- Saiba a hora de dar um passo para trás: encerrar um produto, fechar uma unidade que dá prejuízo ou desistir de uma ideia não é fracasso, é gestão. Ter a frieza de olhar para os números e saber quando parar é o que protege a saúde do seu negócio a longo prazo.
Fernanda finalizou a entrevista lembrando exatamente por que escolheu a Cora como parceira na sua jornada: “Eu acho que uma coisa que eu me identifiquei muito com a Cora foi exatamente isso, de focar nos pequenos e médios empreendedores (…) sei o quanto é difícil?”.
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