Quanto a empresa pode comprometer com parcelas de empréstimo? Entenda como calcular
Veja como calcular a parcela ideal, quais indicadores acompanhar e como evitar apertos.
Na hora de buscar crédito, muita gente começa perguntando “quanto eu consigo pegar?”. A pergunta que protege o negócio é outra: quanto a empresa pode comprometer com parcelas de empréstimo sem apertar o caixa nos meses seguintes?
A resposta não está no limite que a instituição financeira oferece. Ela está nos números da própria empresa. Neste artigo, o DNA Empreendedor, da Cora, mostra como calcular a parcela que cabe no seu caixa, quais indicadores acompanhar e quais sinais mostram que o comprometimento passou do ponto.
Quanto a empresa pode comprometer com parcelas de empréstimo?
Não existe um percentual que sirva para todas as empresas. O limite seguro é o que cabe na sobra de caixa, ou seja, no dinheiro que fica depois de pagar custos, impostos e pró-labore, com margem para imprevistos. Como referência prática, a soma de todas as parcelas deve ficar abaixo de 70% a 80% dessa sobra, inclusive nos meses mais fracos.
Referências de mercado ajudam a ter uma ordem de grandeza. Um material do Sebrae em parceria com a Serasa, por exemplo, orienta conferir se as parcelas ficam abaixo de 30% do rendimento mensal.
O cuidado está na base do cálculo. Sobre o faturamento bruto, esse percentual pode ser alto demais para negócios de margem apertada. Uma empresa que lucra 10% do que vende comprometeria com parcelas o triplo do próprio lucro. Por isso, trate qualquer percentual como teto de referência, nunca como meta, e confirme a conta pela sobra de caixa.
Faturamento, lucro ou sobra de caixa: qual base usar?
| Base de cálculo | O que mostra | Para calcular parcelas |
|---|---|---|
| Faturamento | Tudo o que a empresa vendeu no período | Não desconta custos, impostos nem pró-labore |
| Lucro | O resultado depois de custos e despesas | Pode incluir vendas que ainda não entraram na conta |
| Sobra de caixa | O dinheiro que de fato fica disponível no mês | É a base mais segura, porque mostra o dinheiro que realmente pode pagar a parcela |
Se esses conceitos ainda se misturam no dia a dia, vale entender o que é faturamento e como ele se diferencia do lucro.
Como calcular quanto a empresa pode pagar de parcela
Para descobrir a capacidade de pagamento da empresa, siga os seis passos abaixo. Tenha em mãos o extrato da conta PJ ou a sua planilha de fluxo de caixa dos últimos meses.
1. Levante as entradas reais dos últimos 6 a 12 meses
Conte apenas o dinheiro que efetivamente entrou na conta. Vendas a prazo que ainda vão ser recebidas ficam de fora, assim como empréstimos e aportes dos sócios, que não são receita da operação. Um período longo ajuda a enxergar a sazonalidade do negócio.
2. Some todas as saídas da operação
Inclua:
- os custos variáveis, como mercadorias, insumos, comissões, taxas de maquininha e impostos sobre vendas;
- os custos fixos, como aluguel, folha, sistemas e contador;
- o pró-labore dos sócios.
Se você é MEI, conte também o valor que retira todo mês para as despesas pessoais.
3. Encontre a sobra de caixa
Sobra de caixa = entradas − saídas da operação
Esse valor também é chamado de geração de caixa. Ele mostra quanto a empresa produz por mês antes de pagar dívidas, e é ele que vai bancar as parcelas, não o faturamento.
4. Desconte as parcelas que você já paga
Liste financiamentos, empréstimos em andamento, compras parceladas no cartão, impostos parcelados e acordos com fornecedores. Tudo isso disputa a mesma sobra de caixa.
5. Aplique uma margem de segurança
Use no máximo 80% da sobra para o total de parcelas, ou 70% se as vendas oscilam muito de um mês para outro. O restante funciona como colchão para atrasos de clientes e despesas inesperadas.
Espaço para a nova parcela = (sobra de caixa × 0,8) − parcelas atuais
6. Teste o cenário de um mês fraco
Refaça a conta com entradas 10% a 20% menores, ou com os números do mês mais fraco do último ano. Se a parcela não couber, reduza o valor do crédito ou alongue o prazo. Saber prever o fluxo de caixa deixa esse teste bem mais preciso.
Exemplo prático: quanto cabe no caixa de uma pequena empresa
Imagine uma loja que recebe, em média, R$ 60 mil por mês em vendas e já paga R$ 1.500 de parcela pelo financiamento de um equipamento. Veja a conta em um mês típico e em um mês com vendas 10% menores:
| Mês típico | Mês fraco (vendas −10%) | |
|---|---|---|
| Entradas | R$ 60.000 | R$ 54.000 |
| Custos variáveis (50% das vendas) | R$ 30.000 | R$ 27.000 |
| Custos fixos e pró-labore | R$ 21.000 | R$ 21.000 |
| Sobra de caixa | R$ 9.000 | R$ 6.000 |
| Limite total de parcelas (80% da sobra) | R$ 7.200 | R$ 4.800 |
| Parcelas atuais | R$ 1.500 | R$ 1.500 |
| Espaço para a nova parcela | R$ 5.700 | R$ 3.300 |
No mês típico, uma nova parcela de até R$ 5.700 parece caber. Repare, porém, que uma queda de 10% nas vendas derrubou a sobra em um terço, porque os custos fixos não diminuem junto com o faturamento. Com uma parcela de R$ 5.700, o mês fraco terminaria com R$ 1.200 faltando no caixa.
Nesse caso, a faixa mais segura é uma nova parcela próxima de R$ 3.300. Valores entre R$ 3.300 e R$ 5.700 só fazem sentido se a empresa tiver uma reserva de emergência para cobrir os meses mais fracos.
E a referência dos 30%? Neste exemplo, 30% do faturamento seriam R$ 18 mil por mês, o dobro de toda a sobra de caixa da loja. Na faixa segura, o total de parcelas (R$ 4.800) equivale a 8% das entradas de um mês típico.
Indicadores para acompanhar o comprometimento da empresa com dívidas
Calcular a parcela antes de contratar é o primeiro passo. Depois, três indicadores simples mostram, mês a mês, se o comprometimento continua saudável:
| Indicador | Como calcular | Como interpretar |
|---|---|---|
| Comprometimento das entradas | Total de parcelas ÷ entradas do mês | Mostra quanto do dinheiro que entra já tem destino certo. Se o percentual sobe mês após mês, é hora de acender o alerta |
| Índice de Cobertura do Serviço da Dívida (ICSD) | Sobra de caixa ÷ total de parcelas | Acima de 1,2 indica folga. Abaixo de 1, a operação não gera dinheiro suficiente para pagar as dívidas |
| Folga de caixa | Sobra de caixa − total de parcelas | É o dinheiro livre para imprevistos e para formar reserva |
O ICSD costuma aparecer na análise de bancos como medida da capacidade de pagamento da empresa, e a referência mais comum é que ele fique acima de 1,2 a 1,25. A margem de 80% sugerida no passo a passo equivale a um ICSD de 1,25. No exemplo da loja, a parcela de R$ 3.300 mantém o índice em 1,25 no mês fraco e perto de 1,9 no mês típico.
O que muda o limite de comprometimento de cada empresa
Duas empresas com o mesmo faturamento podem ter limites bem diferentes. Estes são os fatores que mais pesam:
- Margem de lucro: quanto menor a margem, menor a sobra para cada real vendido e menor o espaço para parcelas.
- Sazonalidade: negócios com meses de alta e de baixa precisam fazer a conta pelo período mais fraco, não pela média.
- Prazo de recebimento: quem vende a prazo pode ter lucro e, mesmo assim, ficar sem dinheiro no dia do vencimento. É o chamado descasamento de fluxo de caixa.
- Finalidade do crédito: um empréstimo que financia algo capaz de gerar receita, como estoque para a alta temporada, tende a se pagar. Usar crédito para cobrir um rombo que se repete todo mês só adia o problema. Veja quando vale a pena fazer um empréstimo PJ para crescer.
- Custo e prazo: prazos longos reduzem a parcela, mas costumam aumentar o total pago. Por isso, compare sempre o Custo Efetivo Total (CET) das propostas.
- Reserva financeira: com dinheiro guardado, a empresa atravessa um mês ruim sem atrasar compromissos.
Sinais de que a empresa está comprometendo demais com parcelas
Mesmo com planejamento, o cenário pode mudar. Fique atento se a empresa passar a:
- pagar parcelas com cheque especial, rotativo do cartão ou um novo empréstimo;
- atrasar fornecedores, impostos ou salários para não atrasar o banco;
- chegar ao fim de todo mês com o caixa zerado ou negativo;
- antecipar recebíveis todos os meses só para fechar as contas;
- não conseguir guardar nada para a reserva.
Se esses sinais aparecem com frequência, pause novas dívidas e reorganize as atuais. Revisar custos e renegociar as dívidas da empresa costuma resolver mais do que buscar crédito novo para pagar o antigo.
Como escolher valor e prazo na hora de contratar o empréstimo
Com o espaço para a parcela calculado, a contratação fica mais objetiva:
- Peça o que a empresa precisa, não o limite disponível. O limite pré-aprovado mostra até onde a instituição vai, não quanto o seu caixa aguenta.
- Simule prazos diferentes. Compare a parcela, o total a pagar e o CET de cada cenário.
- Escolha o vencimento pelo calendário de recebimentos. Se a maior parte das vendas entra no início do mês, uma parcela que vence logo depois pesa menos no caixa.
- Use a carência a seu favor. Ela dá tempo para o investimento começar a gerar resultado antes do primeiro pagamento.
- Prefira condições que permitam antecipar parcelas com desconto nos juros. Se o caixa melhorar, dá para reduzir o custo da dívida.
- Escolha a modalidade certa. Para cobrir um descasamento pontual, antecipar recebíveis pode fazer mais sentido do que assumir parcelas novas. Entenda as diferenças entre capital de giro e antecipação de recebíveis.
Crédito na Cora: simule a parcela antes de contratar
Na Cora, o empréstimo empresarial tem duas modalidades: capital de giro e antecipação de boletos. Cada uma serve a um momento diferente do caixa:
- Capital de Giro Cora: crédito voltado a pequenas e médias empresas, com contratação 100% digital.
- Dá para dividir em até 24 vezes e começar a pagar 30 dias depois.
- Antes de assinar, a simulação exibe o valor das prestações, os juros, o IOF e o CET.
- O débito das parcelas é automático, no dia escolhido na contratação.
- Quem quita parcelas antes do vencimento tem desconto proporcional nos juros.
- Antecipação de vendas em boletos: em vez de assumir parcelas novas, a empresa adianta um dinheiro que já tem a receber. A partir do 3º dia após a contratação, cada boleto que os clientes pagam abate o saldo automaticamente. Quanto mais cedo eles pagam, menor fica o custo total.
O acesso ao crédito depende de uma análise automática, e a oferta fica disponível para clientes elegíveis. Com a oferta em mãos, use o cálculo deste artigo para escolher o valor e o prazo em que a parcela cabe no seu caixa. O passo a passo está em como simular capital de giro na Cora.
Em resumo: a parcela certa é a que cabe no mês mais fraco
Saber quanto a empresa pode comprometer com parcelas de empréstimo tem menos a ver com um percentual mágico e mais a ver com conhecer o próprio caixa. Calcule a sobra, desconte as dívidas atuais, mantenha uma margem de segurança e teste o cenário de um mês ruim. Se a parcela passar nesse teste, o crédito tende a ajudar a empresa a crescer, em vez de virar um peso.