EP. 45 · · 7 min de leitura

Menos “Alt+Tab”, mais resultado: como organizar a produtividade da sua empresa sem vigiar ninguém

Cesar Garcia

Empreender no Brasil é um desafio diário de alta performance. Se você lidera uma pequena ou média empresa, sabe muito bem que fazer o tempo render é um dos maiores nós do seu dia a dia. Mas será que você está medindo a eficiência do seu time do jeito certo?

No episódio 45 do podcast Fala, PJ!, Igor Senra e Vini Braz receberam Cesar Garcia, CEO da Evertrack. Em um papo direto e sem rodeios, Cesar compartilhou sua jornada — que começou de forma humilde no interior de Minas Gerais — e trouxe dados de um estudo exclusivo que revela como as distrações digitais e o uso real da Inteligência Artificial estão moldando a rotina dos negócios.

Abaixo, traduzimos os principais insights dessa conversa para a realidade e o chão de fábrica da sua empresa.

Do interior de Minas ao comando de uma tech: a jornada de Cesar Garcia

Cesar cresceu em Muzambinho, no interior de Minas Gerais, em uma casa movimentada com sete irmãos. Foi nesse ambiente dinâmico que ele aprendeu suas primeiras lições sobre convivência e a necessidade de se virar sozinho. Fascinado por tecnologia desde cedo, ele estudava eletrônica por correspondência através de livrinhos de papel jornal durante o horário de almoço.

Seu primeiro “trabalho técnico” foi instalar aparelhos de videocassete para os vizinhos da cidade. Ele instalou cerca de 40 a 50 aparelhos puramente no boca a boca. O aprendizado veio rápido, inclusive na dor de começar: como fez tudo de graça, perdeu a primeira oportunidade de ganhar dinheiro com o próprio esforço.

Mais tarde, formou-se em Santa Rita do Sapucaí — o polo tecnológico mineiro — e construiu uma carreira sólida na área. Anos depois, ao assumir a gestão da empresa onde se tornou sócio, enfrentou o dilema clássico de todo PJ: a necessidade de reestruturar a operação. Tomou a difícil decisão de reduzir a equipe de 20 para 12 funcionários para que o negócio pudesse ganhar fôlego. Hoje, colhendo os frutos dessa eficiência, a companhia ultrapassa os 100 colaboradores.

A lição do papel rasgado: desapegue da ideia e foque no cliente

Um dos momentos mais valiosos da entrevista foi quando Cesar relembrou o nascimento do seu principal produto durante a pandemia. Inicialmente, o software foi desenhado com foco total em saúde mental corporativa. Mas a recepção do mercado foi um fiasco.

O motivo? O mercado naquele momento de crise não estava pronto para essa abordagem; as pequenas e grandes empresas precisavam do básico: entender se as pessoas estavam de fato conseguindo trabalhar de casa. Cesar precisou mudar rapidamente a proposta de valor e o marketing. Bastou criar um anúncio focado na dor real do cliente para ver a procura pelo produto triplicar.

Para ilustrar a importância do desapego na gestão, ele relembrou uma dinâmica marcante que viveu em um curso de inovação, onde o mediador mandou que todos rasgassem uma atividade que tinham acabado de produzir com muito orgulho :

“Primeiro ensinamento para a inovação: vocês não podem ficar apegados à primeira visão que vocês têm. […] O desenvolvedor é apegado à ideia dele… Eu falo: se coloque no sapato do cliente. Isso aqui não serve para nada para ele, só está legal.”

Produtividade em números: mitos vs. realidade nas empresas

Com base em dados agregados de 25 mil usuários monitorados em cerca de 200 empresas, o estudo da Evertrack traz dados realistas que desmistificam o cenário tecnológico atual:

 

O mito do mercado Dados reais
“A inteligência artificial já revolucionou e substituiu os processos complexos.” 64% do uso corporativo de IA ainda é extremamente básico, resumindo-se ao formato de pergunta e resposta (como o uso comum do ChatGPT).
“As pessoas mudam de tela ou perdem o foco poucas vezes por hora.” Os dados mostraram que o trabalhador faz, no mínimo, 20 mudanças de contexto por hora saltando entre abas.
“Ferramentas de análise de produtividade servem apenas para corporações gigantes.” A busca por eficiência independe de tamanho. O sistema atende desde pequenos negócios com 2 funcionários até operações com 10 mil usuários.

 

A armadilha do “Alt+Tab” e o uso prático da IA no chão de fábrica

Se você sente que o seu dia ou o do seu time está pulverizado em dezenas de tarefas que não avançam, você foi pego pela armadilha do contexto. Antigamente, estimava-se que o cérebro demorava até 30 minutos para retomar o foco profundo após uma interrupção. Hoje, esse tempo caiu para cerca de 9 minutos, mas pular de tela 20 ou 40 vezes por hora impede qualquer execução bem-feita.

Para solucionar isso sem burocracia, Cesar sugere ações simples de cultura organizativa que cabem em qualquer PME, como adotar a “quarta-feira sem reuniões” para garantir que o time tenha blocos de tempo dedicados ao trabalho focado.

Além disso, desmistificar a Inteligência Artificial é urgente. O empresário não precisa criar robôs ou códigos complexos. Na rotina comum de uma pequena empresa, a IA deve ser usada como uma assistente prática:

  • Validação de Contratos: Submeter minutas simples para uma pré-análise de riscos antes de acionar o suporte jurídico.
  • Insights de Negócios: Cruzar dados consolidados ou relatórios básicos para identificar padrões e novas ideias comerciais.
  • Ganho de Tempo: Utilizar ferramentas integradas para otimizar fluxos de comunicação diários, o que pode gerar de 30% a 40% de eficiência de tempo.

“A maioria está com medo porque não usa. E eu acho que fomentar o uso dessas ferramentas novas vai dar uma produtividade. E o que a gente mais precisa hoje, em empresas pequenas, médias e nas grandes também, é produtividade.”

Ferramenta de gestão é um “machado”: use para proteger, não para caçar bruxas

Um receio comum de quem lidera times enxutos é de que acompanhar dados de produtividade possa parecer “vigilância” excessiva, quebrando a confiança da equipe. Cesar aborda esse ponto com uma metáfora muito honesta sobre a tecnologia:

“Uma implantação de uma ferramenta dessa… ela é o machado. Ela corta a árvore, mas na essência do machado ela pode matar pessoas.”

Em pequenas e médias empresas, o acompanhamento de dados não deve servir para punir ou monitorar cada clique por desconfiança. Pelo contrário: o verdadeiro objetivo é identificar e valorizar quem trabalha bem. Os dados servem para alertar o gestor quando o seu melhor funcionário está sobrecarregado, evitando o esgotamento (burnout) e ajudando a reter os grandes talentos que fazem o seu negócio crescer.

Os 3 pilares fundamentais do empreendedor PME

Ao fim da entrevista, Cesar sintetizou a cartilha básica de sobrevivência e inteligência emocional para quem comanda um CNPJ:

  • 1. Resiliência absoluta: dias bons e ruins se alternam constantemente. Cada dificuldade enfrentada deve servir como aprendizado prático para blindar a operação e fortalecer a gestão.
  • 2. Agilidade de reação: em tecnologia, fala-se muito sobre o tempo de latência. O tempo entre levar uma pancada do mercado, jogar uma água no rosto e tomar uma nova decisão precisa ser o menor possível, sem espaço para o coitadismo.
  • 3. Foco no que é controlável: fatores macroeconômicos ou mercadológicos externos que estão fora do seu gerenciamento direto devem ser deixados de lado. Gaste sua energia unicamente naquilo que você pode mudar e gerenciar na sua empresa hoje.

Parceria Cora e Evertrack: eficiência ao seu alcance

A busca por produtividade real e justa não precisa ser um privilégio apenas das grandes corporações. Sabendo disso, a Evertrack faz parte da Central de Benefícios da Cora.

Como cliente Cora, você tem acesso a um desconto exclusivo na licença padrão da plataforma. É a oportunidade de profissionalizar os dados da sua empresa, proteger seus colaboradores e impulsionar seus resultados.

Quer conferir a conversa completa?

Dê o play abaixo e assista ao episódio na íntegra no YouTube para absorver todas as histórias e lições práticas compartilhadas neste episódio do Fala, PJ!: