Quando uma empresa entrega um produto ou presta um serviço antes de receber todo o valor, ela assume o risco de o pagamento não acontecer no prazo combinado. A análise de crédito ajuda a avaliar esse risco antes de aprovar a venda.

A análise não serve apenas para decidir se a venda a prazo será aprovada. As informações disponíveis também podem orientar qual limite conceder, quanto tempo dar para o pagamento e se uma compra de maior valor exige condições diferentes das adotadas anteriormente para aquele cliente. 

Neste artigo, o DNA Empreendedor, da Cora, explica quais informações avaliar antes de uma venda a prazo, como transformar a análise em critérios de aprovação e o que fazer depois da venda para acompanhar os recebimentos.

O que é análise de crédito de clientes e por que fazer antes de vender a prazo?

Análise de crédito de clientes é a avaliação feita antes de conceder prazo para estimar o risco de não receber o valor conforme as condições combinadas. Ela pode considerar informações externas e o próprio histórico daquele cliente com a empresa.

Esse cuidado ganha importância quando a própria empresa concede prazo ao cliente. Em uma venda por boleto com vencimento futuro ou parcelado, por exemplo, o produto ou serviço pode ser entregue antes de todo o dinheiro entrar no caixa. Se o cliente atrasar, a empresa continua tendo despesas enquanto espera pelo recebimento.

Analisar o crédito não elimina o risco, mas ajuda a empresa a decidir quanto risco aceita assumir e em quais condições. Um cliente sem atrasos anteriores pode enfrentar dificuldades financeiras depois da compra, enquanto alguém sem histórico com a empresa ainda pode pagar corretamente.

A análise também precisa levar em conta a operação que está sendo aprovada. Vender R$ 500 para pagamento em 15 dias representa uma exposição diferente de vender R$ 10 mil para receber ao longo de seis meses, mesmo quando o comprador é o mesmo.

Por isso, a pergunta não é apenas “esse cliente é bom pagador?”. É preciso avaliar quem é o cliente, qual é seu histórico de pagamento, quanto pretende comprar e por quanto tempo a empresa ficará exposta ao risco.

Quais dados consultar na análise de crédito do cliente?

Na análise de crédito, a empresa pode combinar dados cadastrais, histórico interno de pagamentos, informações de crédito obtidas de fontes adequadas e características da própria venda. Nenhum desses elementos, isoladamente, precisa determinar a decisão. 

Entre os dados úteis para a avaliação estão:

  • cadastro do cliente: nome ou razão social, CPF ou CNPJ, contatos e outras informações necessárias para identificar corretamente quem está comprando e registrar a operação;
  • histórico com a própria empresa: compras anteriores, valores, prazos concedidos, pagamentos feitos no vencimento e eventuais atrasos ajudam a entender como aquele relacionamento comercial tem evoluído;
  • informações de crédito: serviços de análise de crédito podem fornecer pontuações, registros de inadimplência ou atraso e outras informações usadas para avaliar o risco. O Cadastro Positivo, por sua vez, reúne notas ou pontuações e histórico de crédito de pessoas físicas e jurídicas e pode ser usado para subsidiar a concessão de crédito e a venda a prazo. A consulta é feita por meio dos gestores de bancos de dados;
  • valor e prazo da nova venda: uma condição concedida anteriormente pode não ser adequada quando o valor da compra aumenta muito ou o prazo solicitado fica mais longo.

Uma pontuação de crédito, quando consultada, é apenas um dos elementos disponíveis e não precisa ser usada como um corte automático e igual para todas as operações.

No Cadastro Positivo, há diferença entre os dados que podem ser acessados. A nota ou pontuação pode ser disponibilizada ao consulente sem autorização específica do cadastrado, enquanto o acesso ao histórico de crédito exige autorização prévia e específica. A empresa só pode consultar informações de pessoas ou empresas com as quais mantenha ou pretenda manter relação comercial ou de crédito. 

Quando a análise envolve dados pessoais de pessoas físicas, a empresa ainda precisa observar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A proteção do crédito é uma das bases legais previstas para o tratamento de dados pessoais, mas continuam valendo princípios como finalidade, adequação e necessidade. Segundo a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), a mera consulta a birôs como SPC e Serasa não é, por si só, uma violação da LGPD.

Como decidir se a venda a prazo deve ser aprovada ou negada?

Para decidir se uma venda a prazo deve ser aprovada ou negada, a empresa precisa comparar as informações do cliente e da compra com critérios de crédito definidos previamente. Isso reduz decisões improvisadas e permite aplicar regras mais consistentes a situações semelhantes.

Não existe um score mínimo universal que, sozinho, determine se uma venda a prazo deve ser aprovada ou negada. Uma política interna pode estabelecer quais fatores serão observados, quais situações exigem uma análise adicional e quando o risco da condição solicitada ultrapassa o nível que o negócio decidiu aceitar.

A decisão também não precisa se limitar à aprovação integral ou à recusa. Dependendo das informações disponíveis, é possível aprovar a venda com condições diferentes das solicitadas.

A tabela mostra exemplos de como uma política pode relacionar situações observadas a diferentes decisões. Não são critérios universais nem limites obrigatórios: 

Situação observadaDecisão que a empresa pode avaliar
Cliente novo, sem histórico interno Começar com limite menor ou prazo mais curto e revisar depois dos primeiros pagamentos
Histórico de pagamentos no prazoAvaliar manutenção ou revisão do limite, considerando também o valor e o prazo da nova compra
Atrasos recentes ou cobranças ainda abertasRever limite e prazo antes de conceder uma nova venda a prazo
Compra muito acima do padrão anteriorFazer nova análise mesmo que o cliente tenha histórico de pagamentos no prazo
Nível de risco acima do que a empresa definiu como aceitávelReduzir a exposição, pedir entrada, oferecer outra forma de pagamento ou não conceder o prazo

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Como definir limite de crédito de clientes e prazo de pagamento?

O limite de crédito e o prazo de pagamento devem refletir quanto a empresa aceita manter a receber daquele cliente e por quanto tempo consegue sustentar essa exposição sem pressionar o caixa.

O primeiro cuidado é olhar o valor total em aberto, e não apenas a nova compra. Se um cliente já tem R$ 4 mil a vencer e solicita mais R$ 3 mil, a decisão deve considerar os R$ 7 mil que ficarão expostos caso a nova venda seja aprovada.

O prazo também muda o risco. Quanto mais distante o vencimento, mais tempo existe entre a entrega do produto ou serviço e a entrada efetiva do dinheiro. Por isso, acompanhar o prazo médio de recebimento ajuda a entender quanto tempo o negócio está financiando seus clientes. Em vendas parceladas, o período pode se estender por vários meses.

A política de crédito também pode definir quem tem autorização para aprovar exceções. Uma venda acima do limite habitual, por exemplo, pode exigir aval da pessoa ou área responsável, em vez de ser liberada automaticamente pela equipe comercial.

Esse controle ajuda a evitar que uma venda aprovada para aumentar o faturamento deixe um valor a receber maior do que o caixa da empresa consegue suportar.

Como registrar a análise de crédito de clientes e as condições da venda?

Registrar a análise de crédito significa guardar a decisão tomada, as condições aprovadas e os dados necessários para acompanhar o compromisso assumido pelo cliente. Não é preciso transformar cada venda em um relatório extenso.

Um registro básico pode reunir:

  • identificação da operação: cliente, data e valor da compra;
  • condição aprovada: limite concedido, valor utilizado, número de parcelas ou prazo, forma de pagamento e vencimentos;
  • decisão de crédito: aprovação, redução da condição solicitada ou recusa, conforme os critérios internos;
  • responsável pela decisão: especialmente quando houver exceção à política definida;
  • histórico posterior: pagamentos no prazo, atrasos e renegociações que possam ser considerados em análises futuras.

As condições de pagamento também precisam ficar claras para o cliente. Valor, datas de vencimento, eventual entrada e encargos previstos em caso de atraso não devem depender apenas de uma conversa informal.

Ao padronizar esse registro, a empresa cria um histórico próprio que pode ser considerado nas próximas análises de crédito. 

Como reduzir o risco de atraso depois de aprovar a venda a prazo?

Para reduzir o risco de atraso depois de aprovar a venda a prazo, a empresa pode combinar vencimentos bem definidos, condições registradas, lembretes antes e depois da data e acompanhamento das cobranças abertas e vencidas. A análise de crédito atua antes da venda; a gestão de cobrança começa quando o compromisso já existe. 

Uma primeira medida é emitir a cobrança com data de vencimento determinada. Se houver previsão de multa, juros ou desconto, essas condições devem ser definidas corretamente no momento da emissão, em vez de serem improvisadas quando ocorre um atraso. 

Lembretes também podem evitar situações em que o cliente perde a data ou não localiza a cobrança. Quando o vencimento passa, identificar rapidamente quais valores continuam em aberto permite iniciar o contato sem depender de conferências manuais tardias.

Na Cora, a Gestão de Cobranças permite emitir boletos à vista ou parcelados, definir vencimento e configurar juros, multa e desconto. Na área de Gestão, no app e na Cora Web, é possível acompanhar boletos abertos, atrasados e pagos. A conta PJ gratuita da Cora também permite programar lembretes por e-mail antes, no dia e depois do vencimento. No Cora Pro, a régua de cobrança pode incluir notificações por SMS e WhatsApp. 

Quando o boleto já está vencido, o Cobrança Fácil atua em outra etapa. A solução, atualmente em fase beta, permite automatizar cobranças de boletos atrasados pelo WhatsApp, acompanhar a carteira de inadimplentes e usar inteligência artificial para analisar os casos e sugerir possíveis ações.  

Essas ferramentas não substituem uma política de crédito. Elas atuam em momentos diferentes: antes da venda, a empresa decide quanto risco aceitar; depois, acompanha o que tem a receber e age quando o pagamento não acontece no prazo.

Se a empresa quer centralizar a etapa posterior à aprovação do crédito, veja como funciona a Gestão de Cobranças da Cora e quais recursos podem ser usados para emitir e acompanhar cobranças.

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