IA para PMEs: como transformar tecnologia em lucro na prática
EP. 36 · · 6 min de leitura

IA para PMEs: como transformar tecnologia em lucro na prática

Roberto Dias Duarte

Para muitos empreendedores, a Inteligência Artificial ainda parece algo saído de um filme de ficção científica ou apenas uma ferramenta para “brincar” de criar imagens. Mas, no episódio 36 do Fala, PJ!, Roberto Dias Duarte — um dos maiores especialistas em tecnologia e negócios do país — deixa um alerta claro: se você está usando a IA apenas para diversão, está perdendo dinheiro.

Neste post, traduzimos os principais insights dessa conversa para a realidade da sua empresa. Afinal, como diz Duarte, “não dá mais para falar de um profissional de contabilidade e finanças sem falar de tecnologia”. Vem conferir antes de assistir ao episódio completo!

1. O erro que custa caro: usar IA para “memes” em vez de valor

Roberto afirma que o mundo está vivendo uma “bolha” na qual se consome muita tecnologia para entretenimento. E explica:

“Quando você usa a IA para criar meme, para criar vídeo, para mandar no grupo da família, no grupo do futebol, você não está criando valor. Você não vai pagar por uma licença cara. Você está usando para diversão, não vai pagar 100 dólares para fazer meme. E aí o que acontece? Uma hora as empresas vão ter dificuldade de gerar receita. A bolha explode.”

Para uma PME, o pulo do gato não é usar o ChatGPT para escrever um post engraçado, mas sim para gerar lucro.

O valor real da IA está em transformar dados (que hoje são baratos e abundantes) em opinião profissional e estratégia.

E qual é a lição para você, que empreende? Não entregue apenas o “que” (o relatório, o produto, o serviço). Use a tecnologia para ter tempo de entregar o “porquê” e o “como” seu cliente pode crescer.

Ou, como diz o especialista: “Mesmo que haja essa bolha financeira nas ações dessas empresas de tecnologia de IA, isso não te impede, pelo contrário, de começar a buscar opções de geração de riqueza com a IA. É isso que está faltando: parar de fazer meme de gatinho, meme de futebol e começar a usar a IA para gerar riqueza”.

2. O conceito de “agentes”: como se clonar para crescer

Um dos maiores gargalos do pequeno empreendedor é que ele é o “faz-tudo”. Roberto apresenta a solução: os agentes autônomos. Diferentes de um chat comum, esses agentes são programados para observar, decidir e agir por conta própria.

Imagine ter um “funcionário digital” que monitora sua pasta de arquivos e lê todos os novos documentos; faz cálculos complexos de indicadores de desempenho e escreve recomendações personalizadas para seus clientes com base no histórico de compra deles. Demais, né? 

Para quem domina as principais ferramentas de IA, tudo isso já é possível.

Duarte exemplifica: “O contador tem experiência, tem formação e tem o dado. Só que tem 50, 100 clientes, às vezes até mais. Então ele não consegue dar uma opinião de valor para todos. Quando ele cria um agente autônomo de inteligência artificial clonando o método dele, a interpretação dele, o contexto dele e a experiência dele, ele consegue levar esse processo para os 100 clientes. Todo dia. Isso é uma mudança total e completa de paradigma, de modelo mental e de civilização”.

3. Pare de cobrar por hora e comece a cobrar por resultado

Este é talvez o aprendizado mais libertador para quem presta serviços. Se a IA agora executa em segundos o que você levava 10 horas para fazer, continuar cobrando por “hora técnica” vai destruir seu faturamento.

Roberto sugere a mudança para o modelo de valor agregado. A tecnologia barateia o processo intelectual (o custo passa a ser em “tokens”, não em horas de vida), o que permite que você atenda muito mais gente com uma margem de lucro muito maior.

“Quando eu analiso um relatório financeiro e vendo essa consultoria para o meu cliente, eu estou vendendo token, eu não estou mais vendendo hora. Só que com valor muito alto. E isso muda completamente a cadeia produtiva, a forma de fazer dinheiro. Muda da água para o vinho a forma de cobrar. O caminho que o empreendedor vai fazer realmente se transforma a partir dessas outras oportunidades e desse outro modo de agir”, afirma Duarte.

4. O empreendedor como um “insatisfeito produtivo”

Roberto compartilha que sua trajetória foi movida pela insatisfação com a ineficiência e cita uma frase de Fernando Dolabela, autor de “O Segredo de Luísa”, que indicou a ele que seu caminho estava no empreendedorismo:

“Um empreendedor é um insatisfeito. Mas não é um insatisfeito qualquer, não é um insatisfeito que só reclama, ou que reclama. É um insatisfeito que quer usar essa insatisfação como mola propulsora para mudar o mundo.”

Ele defende que o erro faz parte do caminho — e conta, inclusive, que já “quebrou” algumas vezes antes de alcançar o sucesso atual.

Aqui vai uma dica prática: olhe para o processo mais chato e repetitivo da sua empresa hoje. Segundo Roberto, é ali que está a sua maior oportunidade de aplicar IA e liberar seu tempo para o que realmente importa: cuidar do cliente e da sua família.

O que achou dessa visão?

Para as pequenas e médias empresas, a IA não é sobre substituir pessoas, mas sobre dar “superpoderes” a quem já faz muito com pouco. Assista ao episódio completo e descubra como aplicar a IA no seu negócio!

FAQ: perguntas frequentes e respostas sobre o uso da IA nos negócios

Como usar inteligência artificial do jeito certo no negócio?

O uso correto da inteligência artificial envolve aplicação em geração de valor, construção de estratégia e emissão de opinião profissional, não em atividades recreativas ou superficiais.

Usar IA apenas para diversão pode prejudicar a empresa?

Sim. Segundo Roberto Dias Duarte, limitar a inteligência artificial ao entretenimento reduz o potencial de geração de receita e desperdiça oportunidades estratégicas.

O que realmente gera valor com inteligência artificial?

O valor surge da capacidade de transformar dados em diagnósticos, opiniões profissionais e recomendações estratégicas aplicáveis ao negócio do cliente.

O que são agentes autônomos de IA?

Agentes autônomos de IA são sistemas configurados para observar cenários, tomar decisões e executar ações completas sem intervenção humana contínua.

Como os agentes ajudam contadores e empreendedores a crescer?

Os agentes permitem escalar análises e recomendações, ampliando a entrega de opinião profissional para dezenas ou centenas de clientes simultaneamente.

Por que cobrar por hora deixa de fazer sentido com IA?

A cobrança por hora perde lógica porque a inteligência artificial executa em segundos tarefas que antes exigiam longos períodos de trabalho humano.

O que significa cobrar por tokens em vez de horas?

Cobrar por tokens significa comercializar valor estratégico e interpretação profissional, enquanto o custo da execução passa a ser tecnológico, não baseado em tempo de trabalho.

A inteligência artificial vai substituir pessoas?

Não. Para pequenas e médias empresas, a inteligência artificial amplia a capacidade de quem já atua com recursos limitados, elevando produtividade e impacto profissional.