A Reforma Tributária muda profundamente a forma como empresas e microempreendedores pagam impostos no Brasil. 

Com a criação do IVA Dual, que é o Imposto sobre Valor Agregado, além de ajustes em tributos existentes, novas regras de crédito e mecanismos como cashback, o sistema busca simplificação, maior transparência e justiça fiscal. 

Este guia explica o que muda já a partir de 2026, quando as alterações entram em vigor de forma progressiva, o impacto para as pessoas jurídicas do Simples Nacional e estratégias para preparar a sua empresa, incluindo emissão de notas, atualização de sistemas e planejamento do fluxo de caixa.

Ao final, você verá um checklist para saber se está no caminho certo e um FAQ para tirar as principais dúvidas de forma mais objetiva.

O que é a Reforma Tributária e por que ela está acontecendo?

A Reforma Tributária é uma mudança estrutural na tributação do consumo no Brasil, que substitui um sistema considerado complexo e ineficiente por um modelo mais simples, transparente e alinhado às práticas internacionais. 

Principais objetivos da Reforma Tributária

O Ministério da Fazenda considera estes três os principais objetivos da reforma:

  1. Estimular o crescimento econômico: combate problemas como cumulatividade de impostos, guerra fiscal e excesso de litígios, reduzindo custos e aumentando a competitividade das empresas, com reflexos positivos no emprego e na renda.
  2. Tornar o sistema mais justo: adota o princípio do destino, fazendo com que a arrecadação fique no local do consumo, o que ajuda a reduzir desigualdades regionais e sociais, inclusive com mecanismos como o cashback tributário.
  3. Simplificar e dar mais transparência: a unificação de bases e regras reduz o custo burocrático, aumenta a segurança jurídica e facilita o entendimento sobre quanto imposto é efetivamente pago.

Como foi a tramitação da Reforma Tributária

  • O debate sobre a reforma existe desde a Constituição de 1988.
  • As PECs 45 (Câmara) e 110 (Senado) ganharam força a partir de 2019.
  • Em 2023, as propostas foram unificadas na PEC 45-A e priorizadas pelo governo.
  • A reforma foi aprovada pelo Congresso e promulgada como Emenda Constitucional nº 132, em dezembro de 2023.
  • Em 2025, a regulamentação avançou com a Lei Complementar 214/2025 e o PLP 108/2024.

Quais impostos mudam com a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária simplifica a tributação do consumo ao extinguir gradualmente alguns impostos, criar novos tributos e ajustar regras existentes, reduzindo a complexidade e os custos para as empresas.

SituaçãoImpostoO que acontece
Extintos (gradualmente)PIS e CofinsSerão substituídos pela CBS, com incidência ampla sobre bens e serviços
Extintos (gradualmente)ICMS e ISSSerão substituídos pelo IBS, unificando a tributação estadual e municipal
Mantido (com ajustes)IPIAlíquota geral reduzida a zero, com exceções para preservar a Zona Franca de Manaus
CriadoCBSTributo federal sobre bens e serviços, substitui PIS e Cofins
CriadoIBSTributo estadual e municipal sobre bens e serviços, substitui ICMS e ISS
CriadoIS (Imposto Seletivo)Incide sobre produtos e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente
AjustadoITCMDMantém progressividade e passa a abranger trusts; previdência privada herdada (VGBL/PGBL) fica fora da base

O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) formam o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) Dual, que, segundo o Ministério da Fazenda, “é utilizado em 174 dos 193 países reconhecidos pela ONU e é internacionalmente reconhecido como o melhor modelo de tributação do consumo”.

Outras mudanças importantes da Reforma Tributária

Além da criação do IVA Dual (CBS + IBS), a Reforma traz ajustes relevantes na forma de cobrar, devolver e fiscalizar tributos:

TemaO que muda
Simplificação do IBSAlíquota única por estado e município, aplicada de forma geral a bens e serviços, substituindo o modelo atual com várias alíquotas por produto e regras diferentes entre regiões.
Alíquotas reduzidasRedução de 30% ou 60% da alíquota de referência para setores como saúde, educação e transporte público.
Isenções (alíquota zero)Aplicação para a cesta básica e outros bens e serviços definidos em lei complementar.
Cashback ao consumidorDevolução de parte do imposto pago para famílias, especialmente as de menor renda, tornando a tributação do consumo mais progressiva.
Regime para SAFsCriação de regime específico para Sociedades Anônimas do Futebol, com redução de tributos federais, estaduais e municipais, conforme critérios legais.
Split payment (pagamento dividido)Recolhimento automático de IBS e CBS no momento do pagamento. O crédito só é liberado após a confirmação do imposto pago, reforçando a não cumulatividade e o combate à sonegação.

Qual é o cronograma da Reforma Tributária?

A transição para o novo sistema tributário será gradual, de 2026 a 2033, para permitir a adaptação de empresas, governos e do Fisco, sem impactos abruptos na economia. 

Já a transição da cobrança de impostos da origem para o destino deve acontecer em até 50 anos, de 2029 até 2078.

Veja o cronograma a seguir:

AnoO que acontece na prática
2026Início da fase de testes do IVA Dual (CBS + IBS), com alíquota total de 1% (0,9% CBS e 0,1% IBS). Há movimentação financeira real, emissão de notas com novos campos e adaptação de sistemas, mas sem aumento efetivo da carga tributária, já que o valor é compensado com PIS e Cofins.
2027Extinção definitiva do PIS e da Cofins e início da cobrança integral da CBS e do Imposto Seletivo. O IPI tem alíquota zerada, com exceções para a Zona Franca de Manaus.
2029 a 2032Início da transição de ICMS e ISS para o IBS, com redução gradual das alíquotas dos tributos atuais e aumento progressivo do IBS. Benefícios fiscais do ICMS começam a ser extintos de forma escalonada.
2033Conclusão da transição: ICMS e ISS são extintos, e o IBS passa a ser o único imposto estadual e municipal sobre bens e serviços, com o novo sistema plenamente em vigor.
2029 a 2078Ajuste gradual da divisão da arrecadação do IBS entre entes federativos (sem impacto para as empresas).

Importante: ao longo desse período, o Congresso ainda definirá as alíquotas de referência do IBS e da CBS por meio de leis complementares, por isso é necessário que as empresas continuem acompanhando as novidades continuamente, com apoio de um serviço de contabilidade.

O que muda para as empresas, na prática, a partir de 2026

O ano de 2026 marca o início operacional da Reforma Tributária. Apesar de ser chamado de “ano de testes”, o novo sistema já entra em funcionamento real e exige adaptações imediatas das empresas:

O que mudaO que isso significa na prática
Início do IVA Dual (CBS + IBS)Cobrança em caráter de teste, com alíquota total de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS). Mas não há aumento de carga tributária, porque o valor é compensado com PIS e Cofins.
Tributos atuais seguem valendo em paraleloPIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI continuam existindo. A extinção gradual começa apenas em 2027.
Mudanças nas notas fiscaisEmpresas devem destacar CBS e IBS, preencher novos campos obrigatórios e informar corretamente NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) e enquadramento tributário. Erros podem causar rejeição de notas e travar o faturamento.
Atualização obrigatória de sistemasSoftwares fiscais e de gestão precisam ser adaptados às novas regras, sob risco de falhas operacionais e autuações futuras.
Preparação para o split paymentO pagamento automático do imposto será obrigatório a partir de 2027, mas já exige planejamento em 2026, pois impacta o fluxo de caixa e o capital de giro.

Há multas e penalidades em 2026?

Em 2026, não haverá multas automáticas por erros no preenchimento de CBS e IBS. O ano funciona como um período de adaptação, desde que a empresa atue de boa-fé.

Empresas com falhas serão notificadas e terão 60 dias para se adequar. A dispensa de penalidades vale até o primeiro dia do quarto mês após a publicação dos regulamentos.

Mesmo assim, a recomendação da Receita Federal é cumprir as novas regras desde o início, para evitar problemas quando a fiscalização estiver plenamente ativa.

Como a Reforma Tributária afeta as empresas do Simples Nacional?

A Reforma preserva o Simples Nacional, com recolhimento unificado e tratamento favorecido para micro e pequenas empresas. 

Em 2026, o destaque de CBS e IBS nas notas não é obrigatório para os optantes do Simples.

A principal mudança: escolha a partir de 2027

As empresas poderão optar por:

  • Recolher CBS e IBS dentro do Simples: mantém a simplicidade, mas limita os créditos transferidos aos clientes.
  • Recolher fora do Simples (regime normal): permite crédito integral e maior competitividade, com mais complexidade operacional.

Quem vende ao consumidor final tende a permanecer no Simples. Empresas que vendem para outras empresas devem avaliar a opção fora do regime. A escolha deve ser feita até setembro de 2026 e exige planejamento e atualização de sistemas.

  • Leia também: Receita de pessoa física conta para o limite do MEI em 2026? Veja o que diz a norma

Checklist: como preparar sua empresa para a Reforma Tributária 

  • Atualizar sistemas fiscais e de gestão: adequar ERPs e emissores de notas aos novos campos de CBS e IBS e às regras de apuração em tempo real. (Confira também a Tabela INSS 2026 para atualizar cálculos e guias.)
  • Adequar a emissão de notas fiscais: ajustar notas para CBS e IBS quando aplicável. No Simples Nacional, o destaque não é obrigatório, mas erros cadastrais podem gerar rejeições.
  • Revisar cadastros fiscais: conferir NCM, CNAE, enquadramento tributário e dados cadastrais para evitar erros na apuração e no aproveitamento de créditos.
  • Revisar contratos com clientes e fornecedores: ajustar cláusulas de repasse tributário e condições comerciais diante do novo modelo de IVA dual.
  • Planejar o impacto do split payment: avaliar efeitos no fluxo de caixa e no capital de giro, já que o imposto será repassado automaticamente ao Fisco.
  • Avaliar a estratégia para IBS e CBS (especialmente no Simples Nacional): simular cenários para decidir entre recolher os tributos dentro do Simples ou pelo regime normal, considerando créditos e competitividade.
  • Acompanhar a regulamentação: monitorar leis complementares que ainda definirão alíquotas, regras de crédito, penalidades e operacionalização do novo sistema. (Use a Agenda tributária de 2026 para planejar pagamentos e declarações.)
  • Tratar 2026 como um ensaio geral obrigatório: usar o período de testes para ajustes operacionais, fiscais e tecnológicos, evitando riscos quando as alíquotas efetivas entrarem em vigor.

Agora que você já sabe tudo sobre a Reforma Tributária, acesse nosso Calendário de obrigações do PJ para 2026 atualizado e veja todas as obrigações que sua empresa deve cumprir ao longo do ano, de acordo com o regime fiscal em que ela está enquadrada.

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FAQ: perguntas frequentes e respostas sobre a Reforma Tributária

1. O que muda com a reforma tributária em 2026?

A reforma cria o IVA Dual (CBS + IBS), ajusta tributos existentes e introduz regras de crédito e cashback. Mas 2026 é fase de testes, sem aumento de carga tributária.

2. Quais impostos serão substituídos?

PIS e Cofins serão substituídos pelo CBS. ICMS e ISS, pelo IBS. O IPI será zerado, exceto na Zona Franca de Manaus. Também será criado o Imposto Seletivo sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

3. O que é o IVA Dual e como ele funciona?

O IVA Dual combina CBS (federal) e IBS (estadual e municipal) para simplificar a tributação do consumo. Em 2026, ele é aplicado em caráter de teste, com alíquota total de 1% (0,9% CBS e 0,1% IBS), movimentação financeira real e adaptação de sistemas.

4. Quando a reforma tributária será totalmente implementada?

A transição é gradual: testes em 2026, extinção do PIS/Cofins e início da CBS em 2027, substituição de ICMS/ISS pelo IBS entre 2029 e 2033, e ajuste final da arrecadação entre estados e municípios até 2078.

5. Como a reforma tributária impacta empresas do Simples Nacional?

Em 2026, o destaque de CBS e IBS nas notas não é obrigatório para o Simples. A partir de 2027, empresas podem optar por recolher dentro do Simples (mais simples, créditos limitados) ou fora do regime (mais complexidade, créditos integrais).

6. O que empresas precisam ajustar nas notas fiscais?

Preencher novos campos obrigatórios, informar CNAE e enquadramento correto para evitar rejeição de notas.

7. Há multas ou penalidades em 2026?

Não. É período de adaptação. Empresas com erros serão notificadas e terão 60 dias para se adequar.

8. Como preparar a empresa para a reforma tributária de forma prática?

Atualize sistemas, revise cadastros e contratos, planeje o split payment, simule estratégias para CBS e IBS e use 2026 como ensaio antes da cobrança integral.